Entrevista com o mestre: Lucas Caracik

 

Eu sou o Felipe Ricco, jornalista e responsável pelos cursos de luthieria do Instituto e também pelo Segredos do Luthier. Em parceria com a revista 440hz, vamos entrevistar grandes mestres da luthieria uma profissão ainda um tanto desconhecida no Brasil mas que vem ganhando os jovens que sonham em expressar sua arte e amor pela música.

Também entrevistaremos outros os profissionais que se destacam no mercado musical, fique ligado e não perca nenhuma delas. 

Para estrear nossa série de entrevistas, com vocês, o luthier, Lucas Caracik.

Arquiteto com formação na USP, faz parte de uma nova geração de luthiers que vem trazendo inovação para o mercado brasileiro nos últimos anos. Aos 31 anos ele produz instrumentos de forma artesanal em sua oficina no centro de São Paulo, a Caracik Guitars. Além disso, ensina luthieria e divulga conhecimento técnico e teórico em seu canal no YouTube. 

Como você descobriu a Luthieria?

Foi durante meu percurso como músico (de diversos instrumentos), ainda no interior paulista, em minha infância e adolescência. Ouvi falar dos artesãos responsáveis pela construção de clarinetes, violas caipiras e violões. Depois, através de leitura, descobri o ofício do(a) luthier, artesão responsável exclusivamente pela construção de instrumentos de corda.

 Você quis trabalhar com essa arte logo de cara ou aconteceu algo para entrar nesse meio?

Foi uma escolha bastante “orgânica”, que foi ocorrendo naturalmente durante meus estudos e minha prática no ofício. Fui conhecendo algumas figuras importantes, pessoas que admirava, e me afeiçoando cada vez mais ao trabalho e ao estilo de vida que a luthieria me possibilitava. 

Você fez algum curso? Sentiu dificuldades pra obter o aprendizado?

Sim, realizei o curso básico (de regulagem) e intermediário (de construção) na B&H Luthieria, com os (as) professores (as) Vicente Palma, Henry Ho, Marcio Benedetti e Pauleira. Fui monitor do curso de construção de acústicos na mesma escola e auxiliava o professor Vicente Palma durante as aulas. Em 2013 realizei o curso de construção de violão com os professores Luciano Borges e Robert O’Brien (Colorado/EUA), na oficina do mestre Luciano, na cidade de Araguari/MG. No início foi bastante difícil ter acesso ao conhecimento técnico necessário ao manuseio correto e seguro de máquinas e ferramentas, mas adquirindo livros (no exterior) e buscando vídeos de profissionais “referência” creio que o aprendizado esteja cada vez mais acessível.

Você se considera um guitar tech, construtor ou não gosta de se rotular?

Eu sou um luthier no sentido pleno da palavra, pois, desenho e construo instrumentos, realizo manutenção e regulagem e ainda ofereço cursos em minha oficina.

 Como você vê o mercado da luthieria no Brasil?

É um mercado bastante conservador, pouco aberto a inovações. Falta estudo e informação, tanto para os músicos e músicas que se servem do nosso trabalho quanto para alguns profissionais do ramo. No entanto, o mercado vem se desenvolvendo, ainda que de forma bastante vagarosa.

 Novos(as) profissionais são bem vindos(as) nesse mercado?

Claro, sempre!

Como é a competitividade no meio da luthieria?

Não penso nesses termos. Não faço guitarras ou realizo serviços para competir com ninguém. Faço o que faço por um desejo intrínseco e necessidade criativa. E sempre com grande admiração pelo trabalho de amigos e amigas da área. A variedade e as diferenças nos ensinam, são fontes inesgotáveis de conhecimento.

O que você acha da utilização de novas tecnologias numa área que sempre foi marcada pela tradição pelo trabalho artesanal?

Acho natural. O desenvolvimento técnico faz parte de qualquer ofício. Essa é uma pergunta bastante complexa, que nos leva a uma discussão e uma necessária análise histórica. Não acho que a área sempre tenha sido marcada pela tradição do trabalho artesanal. A guitarra elétrica de corpo sólido, por exemplo, nasceu como um objeto industrial, na primeira metade do século XX, e depois foi apropriada por artesãos e artesãs em todo o mundo. Não vejo de forma binária a utilização ou não de novas tecnologias no ofício. Há todo um gradiente de possibilidades, desde os artesãos e artesãs que constroem da forma manual, com pouca ou nenhuma ferramenta elétrica, até as pequenas fábricas, que se utilizam de máquinas CNC e processos automatizados de construção. Todos podem fazer trabalhos incríveis, criativos e precisos.

Você também ensina o ofício da luthieria. O que acha da inclusão de novas tecnologias no ensino da luthieria?

Eu ofereço diversas modalidades de curso e ensino em minha oficina. Desde cursos presenciais de construção e regulagem até cursos e grupos de estudos on-line. Evidentemente, cursos on-line de construção, por exemplo, devem ser feitos por aqueles(as) que já tem alguma carga de conhecimento prático e repertório de trabalho manual com máquinas e ferramentas. Desta maneira você vê o(a) professor(a) explicando a técnica e entende com mais facilidade o que está sendo feito, podendo treinar e aplicar com segurança o que foi passado por vídeo. As ferramentas de ensino on-line também são muito interessantes e econômicas para consultorias e resolução de dúvidas sem o necessário deslocamento físico, que pode ser proibitivo em certas distâncias e momentos.

Qual seu conselho para os novos(as) profissionais?

Estudem muito, leiam, façam cursos e busquem sempre trabalhar com segurança. 

 Muito obrigado, Lucas. O espaço é seu, deixe o recado que quiser.

Gostaria de agradecer aos amigos e amigas do Instituto pela oportunidade e o espaço destinado à divulgação do ofício e do meu trabalho. Para quem quiser mais informações sobre luthieria, música e dicas técnicas, se inscreva em meu canal no YouTube: www.youtube.com/caracikguitars 

Estou à disposição para cursos e encomendas de instrumentos! Muito obrigado!

 

Por Felipe Ricco

Confira esse episódio da Custom Shop Brasil sobre o Lucas Caracik.

Confira esta e outras entrevistas 

na revista para quem gosta de música. 

Acesse:

http://revista440hz.com.br/

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